O virtual (i)limitado

10 outubro 2017


Não tenho dúvida nenhuma de que as tecnologias que, hoje em dia, estão ao nosso dispor são uma grande vantagem relativamente aos nossos antepassados. Temos qualquer tipo de informação à simples distância de uma clique, podemos estar constantemente em contacto com qualquer pessoa, é possível conhecer o mundo para lá daquilo que os nossos olhos veem. No entanto, sinto diariamente que as coisas estão a caminhar para o descontrolo total. Temos pessoas a almoçar com outras e que não se falam, temos pessoas a realizar sonhos e a esquecerem-se de os viver porque querem partilhar aquele momento em direto com quem as segue, temos pessoas a comprar seguidores. É catastrófico. 

O fenómeno da internet atingiu patamares que, para mim, são impensáveis. E não é só a minha geração ou todas as anteriores. São gerações e gerações mais velhas que eu a descobrirem este novo mundo e a ficarem viciados nos pequenos aparelhos que lhes consomem o tempo que dizem não ter. É o miúdo que não para quieto e que passa o dia a jogar no computador, fechado no quarto para estar sossegado. São os educadores que ficam sem paciência e metem as crianças a ver a Patrulha Pata incansavelmente no Youtube até à hora de irem dormir. 

É preciso ter peso, conta e medida quando se trata da utilização dos aparelhos que vamos adquirindo, seja por que motivo for. Temos de controlar o tempo que nos permitimos passar dentro deste mundo irreal. Mas, principalmente, precisamos urgentemente de (re)educar as gerações mais novas para olhar para todo o mundo que existe para lá dos likes, das partilhas e dos seguidores. Muito mais do que os números, somos as circunstâncias que temos de enfrentam. E isso acontece lá fora. No mundo real. 

Um novo começo

07 outubro 2017


Há lugares que nos marcam para sempre. Lugares que nos fazem não querer sair de lá. Que nos fazem sentir em casa e nos deixam de sorriso na cara a cada visita. Há lugares que nos trazem um milhão de sentimentos diferentes. E uma carrada de diferentes momentos felizes. O Porto é esse lugar. Durante os últimos quatro anos fez parte de mim e da minha rotina. Um sítio que nunca foi demais para mim, que nunca me cansou e que me conseguiu surpreender a cada ano.  Era a minha casa. No entanto, tive que me despedir para poder abraçar novos desafios. Hoje, dou as boas-vindas a uma cidade nova, a uma rotina nova e a um sítio completamente novo para mim. Braga será, assim, a minha casa durante, pelo menos, os próximos dois anos. Que eles venham carregados de bons momentos, de muito trabalho e de sorrisos intermináveis. 

Fábrica da Nata

08 agosto 2017


Num dia que merecia um festejo diferente, fomos sem destino pelo Porto quando, de repente, olhamos para a Fábrica da Nata e vimos nela uma boa oportunidade para fazer uma pausa naquele passeio especial. Mal se entra, é-se invadido por um cheirinho maravilhoso que faz qualquer um querer provar um pedacinho desta maravilhosa iguaria. E, enquanto pensava no meu pedido, ia observando cada um dos funcionários a preparar dezenas e dezenas de pastéis de nata, mesmo ali à frente de todos os clientes. 

Acabei por optar por um clássico: uma nata quentinha e um café, que me ficou por 1,60€. Entre o local do pedido e onde nos podemos acomodar, é necessário mudar de andar, mas o espaço está maravilhoso. Clássico, requintado e decorado com muito bom gosto. Os quadros são todos de lugares emblemáticos do Porto ou do Douro e estão tão bem escolhidos que é impossível não parar para apreciar aquelas fotografias. Por isso, só posso aconselhar a fazerem uma paragem neste lugar e desfrutarem de uma boa nata e de um lugar extremamente agradável, cujo ambiente nos faz sentir em casa e com vontade de ficar horas à volta da mesa com pessoas especiais. 

Rua de Santa Catarina 331/335
Porto, Portugal

NOS Alive - Foo Fighters

07 agosto 2017


Há seis anos atrás, os Foo Fighters estiveram no NOS Alive e eu chorei por não os poder ir ver. Lembro-me perfeitamente de ficar acordada para conseguir ouvir pela rádio as três ou quatro músicas que a Rádio Comercial teve oportunidade de passar. Vibrei com todo aquele ambiente que se fazia sentir nos meus ouvidos e lamentei vezes e vezes sem conta por não poder estar a viver aquele momento de perto. No entanto, este ano as coisas foram bem diferentes. Assim que soube que os Foo Fighters estariam em Portugal, tratei de juntar dinheiro para garantir que, desta vez, eu estivesse ali bem perto deles. E estive. Naquele que foi o melhor concerto a que alguma vez eu assisti e que dificilmente será ultrapassado por outra banda qualquer. 

Entre o concerto anterior e o concertos deles, estivemos uns 45 minutos à espera, que pareceram horas. Ia olhando para o relógio de minuto a minuto e com uma sensação de nervosismo que nunca esperei sentir. Desde que me lembro que eles são a minha banda favorita e foram aquelas músicas que acompanharam grande parte da minha adolescência. Estar ali era um sonho. E, apesar de ter tentado não criar qualquer expectativa nos dias anteriores ao concerto, naquele momento tornou-se impossível. Comecei a pensar que músicas viriam dali, com qual eles fariam a abertura do concerto ou se teriam alguma surpresa preparada para nós. 


Uns minutos depois da hora prevista, aparecem eles. Energéticos, alegres e com ar de quem ia dar tudo naquela noite. Assim que começaram a tocar os primeiros acordes da "All my life" eu entrei num estado de felicidade que nunca tinha sentido antes. Mas não se ficaram por aí. O início deste concerto não poderia ter sido mais arrebatador e intenso. E com músicas que significam tanto para mim.

Houve de tudo no concerto, até mesmo canções do público para eles. E o que eu vibrei com isso! No entanto, foi no momento em que começou a "Wheels" que o meu coração não aguentou e eu desatei a chorar, enquanto acompanhava a versão acústica da música com os braços bem lá no alto. Eu vivi aquele concerto intensamente, mas não foi só por isso que aquelas duas horas e meia foram tão indescritíveis. Isso aconteceu porque eles deram tudo naquele palco e mostraram o porquê de os adorar há tanto tempo. Naquele momento, tudo o que eu queria era viver eternamente aquilo. Ainda assim, quando o concerto terminou, tudo pareceu um sonho. E ainda hoje parece.

Depois daquele dia, já vi o concerto no conforto da minha casa e o sentimento manteve-se. Foi um concerto inimaginável. Um sonho que, finalmente, se tornou realidade e que felizmente correspondeu a todas as expectativas que, durante todos estes anos, fui criando inconscientemente. Eles provaram naquele palco que a idade é um número e que quando se faz as coisas por gosto tudo flui naturalmente. E fizeram-me admirá-los ainda mais por isso. No fim, a "Everlong" não poderia ter sido uma melhor escolha para terminar aquele momento fantástico. "If anything could ever be this good again", cantei eu a acompanhar a voz do Dave no final daquele concerto. Espero que sim, que possa voltar a sentir aquilo num concerto deles. E que não tenham de passar mais seis anos para isso. 

Volto sempre aos lugares que me fazem feliz

01 agosto 2017


Sempre que escrevi aqui, fi-lo para deixar uma marca das coisas boas que eu queria guardar com carinho eternamente. Deixei sempre de parte os momentos em que fraquejei, em que me deixei ir abaixo com os obstáculos que tinha de enfrentar e os momentos que sei que não trariam qualquer tipo de felicidade para quem me lê. Provavelmente era um pensamento completamente errado porque, hoje mais do que nunca, consigo ver para além das coisas más que cada situação trás consigo. Acredito verdadeiramente que tudo tem um lado bom, mesmo quando o mundo insiste em nos pisar sem piedade ou nos tira o chão de repente. 

Ter este pensamento é uma constante luta diária, principalmente quando tudo parece estar errado. Num dia temos tudo e no outro, sem sabermos muito bem como, tiram-nos a tranquilidade. As lutas daqueles que conquistam o nosso coração também são lutas nossas, embora com uma dimensão completamente diferente, e nem sempre é fácil ter de lidar com situações tão assustadoras. Principalmente quando estas têm um nome tão duro de ser dito.

Esta é uma daquelas experiências que exigia (e continua a exigir) um momento de paragem. Desligar de tudo o que nos desconecta com o mundo real e enfrentar os medos com toda a força do mundo. Embora não planeado, foi completamente necessário. Mas, ao mesmo tempo, trouxe-me uma força gigante que eu espero conseguir transmitir à minha avó de todas as vezes que a abraçar. E que isso seja suficiente para a fazer vencer tudo o que ainda está para vir. 

O sonho

09 abril 2017


Desde pequena que penso naquilo que a felicidade significa para nós. Sempre fui uma menina alegria e sorridente, talvez por pensar que parte da felicidade passasse por isso. E, na verdade, passa. Com o tempo fui aprendendo a não só ser essa menina que aparenta todos esses sentimentos bons, mas também aquela que, interiormente, sente isso. 

Lembro-me perfeitamente de, numa atividade da escola, fazerem uma dinâmica engraçada que ficou marcada na minha memória com muito carinho. Foi-nos dado um palito, um balão e um papel para escrevermos o nosso maior sonho. E eu, assim meia confusa, escrevi "ser feliz" porque, na verdade, sempre foi o meu sonho. A ideia da dinâmica era percebermos que podemos proteger os nossos próprios sonhos sem ter de destruir o dos outros (daí o palito), mas, na verdade, o que me surpreendeu mais em tudo isto foram as respostas dos meus colegas. Todos, mas mesmo todos, escolheram bens materiais. E, já na altura, eu achei isto um grande disparate da parte deles.

Hoje, uns bons anos depois, eu continuo com a mesma vontade de concretizar este sonho, que me acompanha há tanto tempo e pelo qual faço questão de ser melhor a cada dia. Não é um sonho que se realiza e, pronto, fica arrumado. É um sonho para a vida, um sonho que irá, com toda a certeza, acompanhar-me até ao fim. Mesmo que o momento seja difícil e que os obstáculos do caminho sejam grandes. 

Neste momento, estou a ponderar uma das escolhas que determinará o meu futuro: a escolha de um mestrado. E isto tem tanto de fantástico como de assustador. Se por um lado sinto que estou a crescer e a tornar-me em tudo aquilo que idealizei, por outro sinto que é uma responsabilidade tão grande que me deixa apreensiva e sem rumo. Gosto de demasiadas coisas, é esse o verdadeiro problema. Mas, hoje, todo este pensamento me fez perceber uma coisa: seja qual for a minha escolha e o resultado final, eu só continuarei firme se a chama do sonho antigo de ser feliz se manter acessa. Porque não faz sentido eu seguir caminhos que eu não quero só porque sim. 

#Instagram - Março 2017

02 abril 2017

Março foi um ladrão. Tirou-me noites de sono, horas de descanso e quase todos os fins-de-semana passados em casa. Tirou-me, essencialmente, muito do tempo dedicado a mim e isso refletiu-se na forma como terminei este mês: cansada e atarefada. Tirou-me, também, a serenidade e o coração calmo, que costumam fazer parte do meu dia-a-dia, pelo medo daquilo que o futuro poderia trazer (ou impedir de trazer) para mim.

Não foi um mês inesquecível, nem memorável. Mas, ainda assim, consegui não me deixar levar na onda dele e fiz dos pequenos momentos de pausa especiais e diferentes. E, para isso, nada melhor do que (re)visitar sítios que, para além de nos fazerem felizes, deixam o nosso estômago mais feliz. Por isso, voltei à Miss Pavlova, e no fim desejei regressar lá no dia a seguir, voltei ao Nut' e, para acabar em grande, voltei ao Munchie.


Março também trouxe consigo, bem no fim, aprendizagens que eu não fazia ideia do quanto precisava de as ter. Ensinou-me a aceitar o bem e o mal na mesma proporção e a não ter medo das suas vindas. Pode parecer demasiado estranho, mas às vezes esquece-mo-nos que também merecemos todas as coisas boas que nos vão acontecendo e que nem sempre elas vêem com um "truque na manga". Simplesmente acontecem.
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