O virtual (i)limitado

10 outubro 2017


Não tenho dúvida nenhuma de que as tecnologias que, hoje em dia, estão ao nosso dispor são uma grande vantagem relativamente aos nossos antepassados. Temos qualquer tipo de informação à simples distância de uma clique, podemos estar constantemente em contacto com qualquer pessoa, é possível conhecer o mundo para lá daquilo que os nossos olhos veem. No entanto, sinto diariamente que as coisas estão a caminhar para o descontrolo total. Temos pessoas a almoçar com outras e que não se falam, temos pessoas a realizar sonhos e a esquecerem-se de os viver porque querem partilhar aquele momento em direto com quem as segue, temos pessoas a comprar seguidores. É catastrófico. 

O fenómeno da internet atingiu patamares que, para mim, são impensáveis. E não é só a minha geração ou todas as anteriores. São gerações e gerações mais velhas que eu a descobrirem este novo mundo e a ficarem viciados nos pequenos aparelhos que lhes consomem o tempo que dizem não ter. É o miúdo que não para quieto e que passa o dia a jogar no computador, fechado no quarto para estar sossegado. São os educadores que ficam sem paciência e metem as crianças a ver a Patrulha Pata incansavelmente no Youtube até à hora de irem dormir. 

É preciso ter peso, conta e medida quando se trata da utilização dos aparelhos que vamos adquirindo, seja por que motivo for. Temos de controlar o tempo que nos permitimos passar dentro deste mundo irreal. Mas, principalmente, precisamos urgentemente de (re)educar as gerações mais novas para olhar para todo o mundo que existe para lá dos likes, das partilhas e dos seguidores. Muito mais do que os números, somos as circunstâncias que temos de enfrentam. E isso acontece lá fora. No mundo real. 

Um novo começo

07 outubro 2017


Há lugares que nos marcam para sempre. Lugares que nos fazem não querer sair de lá. Que nos fazem sentir em casa e nos deixam de sorriso na cara a cada visita. Há lugares que nos trazem um milhão de sentimentos diferentes. E uma carrada de diferentes momentos felizes. O Porto é esse lugar. Durante os últimos quatro anos fez parte de mim e da minha rotina. Um sítio que nunca foi demais para mim, que nunca me cansou e que me conseguiu surpreender a cada ano.  Era a minha casa. No entanto, tive que me despedir para poder abraçar novos desafios. Hoje, dou as boas-vindas a uma cidade nova, a uma rotina nova e a um sítio completamente novo para mim. Braga será, assim, a minha casa durante, pelo menos, os próximos dois anos. Que eles venham carregados de bons momentos, de muito trabalho e de sorrisos intermináveis. 

Fábrica da Nata

08 agosto 2017


Num dia que merecia um festejo diferente, fomos sem destino pelo Porto quando, de repente, olhamos para a Fábrica da Nata e vimos nela uma boa oportunidade para fazer uma pausa naquele passeio especial. Mal se entra, é-se invadido por um cheirinho maravilhoso que faz qualquer um querer provar um pedacinho desta maravilhosa iguaria. E, enquanto pensava no meu pedido, ia observando cada um dos funcionários a preparar dezenas e dezenas de pastéis de nata, mesmo ali à frente de todos os clientes. 

Acabei por optar por um clássico: uma nata quentinha e um café, que me ficou por 1,60€. Entre o local do pedido e onde nos podemos acomodar, é necessário mudar de andar, mas o espaço está maravilhoso. Clássico, requintado e decorado com muito bom gosto. Os quadros são todos de lugares emblemáticos do Porto ou do Douro e estão tão bem escolhidos que é impossível não parar para apreciar aquelas fotografias. Por isso, só posso aconselhar a fazerem uma paragem neste lugar e desfrutarem de uma boa nata e de um lugar extremamente agradável, cujo ambiente nos faz sentir em casa e com vontade de ficar horas à volta da mesa com pessoas especiais. 

Rua de Santa Catarina 331/335
Porto, Portugal

NOS Alive - Foo Fighters

07 agosto 2017


Há seis anos atrás, os Foo Fighters estiveram no NOS Alive e eu chorei por não os poder ir ver. Lembro-me perfeitamente de ficar acordada para conseguir ouvir pela rádio as três ou quatro músicas que a Rádio Comercial teve oportunidade de passar. Vibrei com todo aquele ambiente que se fazia sentir nos meus ouvidos e lamentei vezes e vezes sem conta por não poder estar a viver aquele momento de perto. No entanto, este ano as coisas foram bem diferentes. Assim que soube que os Foo Fighters estariam em Portugal, tratei de juntar dinheiro para garantir que, desta vez, eu estivesse ali bem perto deles. E estive. Naquele que foi o melhor concerto a que alguma vez eu assisti e que dificilmente será ultrapassado por outra banda qualquer. 

Entre o concerto anterior e o concertos deles, estivemos uns 45 minutos à espera, que pareceram horas. Ia olhando para o relógio de minuto a minuto e com uma sensação de nervosismo que nunca esperei sentir. Desde que me lembro que eles são a minha banda favorita e foram aquelas músicas que acompanharam grande parte da minha adolescência. Estar ali era um sonho. E, apesar de ter tentado não criar qualquer expectativa nos dias anteriores ao concerto, naquele momento tornou-se impossível. Comecei a pensar que músicas viriam dali, com qual eles fariam a abertura do concerto ou se teriam alguma surpresa preparada para nós. 


Uns minutos depois da hora prevista, aparecem eles. Energéticos, alegres e com ar de quem ia dar tudo naquela noite. Assim que começaram a tocar os primeiros acordes da "All my life" eu entrei num estado de felicidade que nunca tinha sentido antes. Mas não se ficaram por aí. O início deste concerto não poderia ter sido mais arrebatador e intenso. E com músicas que significam tanto para mim.

Houve de tudo no concerto, até mesmo canções do público para eles. E o que eu vibrei com isso! No entanto, foi no momento em que começou a "Wheels" que o meu coração não aguentou e eu desatei a chorar, enquanto acompanhava a versão acústica da música com os braços bem lá no alto. Eu vivi aquele concerto intensamente, mas não foi só por isso que aquelas duas horas e meia foram tão indescritíveis. Isso aconteceu porque eles deram tudo naquele palco e mostraram o porquê de os adorar há tanto tempo. Naquele momento, tudo o que eu queria era viver eternamente aquilo. Ainda assim, quando o concerto terminou, tudo pareceu um sonho. E ainda hoje parece.

Depois daquele dia, já vi o concerto no conforto da minha casa e o sentimento manteve-se. Foi um concerto inimaginável. Um sonho que, finalmente, se tornou realidade e que felizmente correspondeu a todas as expectativas que, durante todos estes anos, fui criando inconscientemente. Eles provaram naquele palco que a idade é um número e que quando se faz as coisas por gosto tudo flui naturalmente. E fizeram-me admirá-los ainda mais por isso. No fim, a "Everlong" não poderia ter sido uma melhor escolha para terminar aquele momento fantástico. "If anything could ever be this good again", cantei eu a acompanhar a voz do Dave no final daquele concerto. Espero que sim, que possa voltar a sentir aquilo num concerto deles. E que não tenham de passar mais seis anos para isso. 

Volto sempre aos lugares que me fazem feliz

01 agosto 2017


Sempre que escrevi aqui, fi-lo para deixar uma marca das coisas boas que eu queria guardar com carinho eternamente. Deixei sempre de parte os momentos em que fraquejei, em que me deixei ir abaixo com os obstáculos que tinha de enfrentar e os momentos que sei que não trariam qualquer tipo de felicidade para quem me lê. Provavelmente era um pensamento completamente errado porque, hoje mais do que nunca, consigo ver para além das coisas más que cada situação trás consigo. Acredito verdadeiramente que tudo tem um lado bom, mesmo quando o mundo insiste em nos pisar sem piedade ou nos tira o chão de repente. 

Ter este pensamento é uma constante luta diária, principalmente quando tudo parece estar errado. Num dia temos tudo e no outro, sem sabermos muito bem como, tiram-nos a tranquilidade. As lutas daqueles que conquistam o nosso coração também são lutas nossas, embora com uma dimensão completamente diferente, e nem sempre é fácil ter de lidar com situações tão assustadoras. Principalmente quando estas têm um nome tão duro de ser dito.

Esta é uma daquelas experiências que exigia (e continua a exigir) um momento de paragem. Desligar de tudo o que nos desconecta com o mundo real e enfrentar os medos com toda a força do mundo. Embora não planeado, foi completamente necessário. Mas, ao mesmo tempo, trouxe-me uma força gigante que eu espero conseguir transmitir à minha avó de todas as vezes que a abraçar. E que isso seja suficiente para a fazer vencer tudo o que ainda está para vir. 

O sonho

09 abril 2017


Desde pequena que penso naquilo que a felicidade significa para nós. Sempre fui uma menina alegria e sorridente, talvez por pensar que parte da felicidade passasse por isso. E, na verdade, passa. Com o tempo fui aprendendo a não só ser essa menina que aparenta todos esses sentimentos bons, mas também aquela que, interiormente, sente isso. 

Lembro-me perfeitamente de, numa atividade da escola, fazerem uma dinâmica engraçada que ficou marcada na minha memória com muito carinho. Foi-nos dado um palito, um balão e um papel para escrevermos o nosso maior sonho. E eu, assim meia confusa, escrevi "ser feliz" porque, na verdade, sempre foi o meu sonho. A ideia da dinâmica era percebermos que podemos proteger os nossos próprios sonhos sem ter de destruir o dos outros (daí o palito), mas, na verdade, o que me surpreendeu mais em tudo isto foram as respostas dos meus colegas. Todos, mas mesmo todos, escolheram bens materiais. E, já na altura, eu achei isto um grande disparate da parte deles.

Hoje, uns bons anos depois, eu continuo com a mesma vontade de concretizar este sonho, que me acompanha há tanto tempo e pelo qual faço questão de ser melhor a cada dia. Não é um sonho que se realiza e, pronto, fica arrumado. É um sonho para a vida, um sonho que irá, com toda a certeza, acompanhar-me até ao fim. Mesmo que o momento seja difícil e que os obstáculos do caminho sejam grandes. 

Neste momento, estou a ponderar uma das escolhas que determinará o meu futuro: a escolha de um mestrado. E isto tem tanto de fantástico como de assustador. Se por um lado sinto que estou a crescer e a tornar-me em tudo aquilo que idealizei, por outro sinto que é uma responsabilidade tão grande que me deixa apreensiva e sem rumo. Gosto de demasiadas coisas, é esse o verdadeiro problema. Mas, hoje, todo este pensamento me fez perceber uma coisa: seja qual for a minha escolha e o resultado final, eu só continuarei firme se a chama do sonho antigo de ser feliz se manter acessa. Porque não faz sentido eu seguir caminhos que eu não quero só porque sim. 

#Instagram - Março 2017

02 abril 2017

Março foi um ladrão. Tirou-me noites de sono, horas de descanso e quase todos os fins-de-semana passados em casa. Tirou-me, essencialmente, muito do tempo dedicado a mim e isso refletiu-se na forma como terminei este mês: cansada e atarefada. Tirou-me, também, a serenidade e o coração calmo, que costumam fazer parte do meu dia-a-dia, pelo medo daquilo que o futuro poderia trazer (ou impedir de trazer) para mim.

Não foi um mês inesquecível, nem memorável. Mas, ainda assim, consegui não me deixar levar na onda dele e fiz dos pequenos momentos de pausa especiais e diferentes. E, para isso, nada melhor do que (re)visitar sítios que, para além de nos fazerem felizes, deixam o nosso estômago mais feliz. Por isso, voltei à Miss Pavlova, e no fim desejei regressar lá no dia a seguir, voltei ao Nut' e, para acabar em grande, voltei ao Munchie.


Março também trouxe consigo, bem no fim, aprendizagens que eu não fazia ideia do quanto precisava de as ter. Ensinou-me a aceitar o bem e o mal na mesma proporção e a não ter medo das suas vindas. Pode parecer demasiado estranho, mas às vezes esquece-mo-nos que também merecemos todas as coisas boas que nos vão acontecendo e que nem sempre elas vêem com um "truque na manga". Simplesmente acontecem.

A bela e o monstro (2017)

27 março 2017


Quando soube que sairia uma nova versão d'"A bela e o monstro", fiquei imediatamente entusiasmada e com uma vontade enorme que o mês de Março chegasse num instantinho. Na verdade, continuo a ser uma grande apreciadora da Disney e a vibrar imenso com tudo o que a caracteriza. Não da mesma forma que vibrava quando era mais nova, mas com o mesmo amor e a mesma alegria. As músicas continuam a dar-me vontade de dançar e fingir, ainda que por breves momentos, que a minha vida pode ser um musical, as lições que retiro de cada filme fazem cada vez mais sentido e a emoção de recordar toda uma infância à volta de princesas é gigante. 

"A bela e o monstro" dispensa qualquer tipo de apresentações. E mesmo quem nunca viu o filme sabe, ainda que de forma geral, a história que nos é apresentada. Nesta nova versão, a história em si manteve-se fiel à original. Não é exatamente igual, mas também já não estava à espera disso. No entanto, não me parece que tenha perdido conteúdo, muito pelo contrário. As cenas estavam muito bem caracterizadas, o guarda-roupa não poderia ter estado melhor, os objetos com vida estavam absolutamente fantásticos por todos os pormenores que tinham e, como não poderia deixar de ser, temos a Emma que fez uma interpretação adorável. 

Não li nenhuma opinião sobre o filme, antes de o ver, de forma a não cria qualquer tipo de expectativas. Não esperava absolutamente nada dele mas, no momento em que foi cantada a primeira canção, eu comecei a sorrir e percebi que dali só poderia vir uma coisa muito boa. E não me enganei. Saí daquela sala de cinema, depois de uma frequência, muito leve, de sorriso no rosto e com uma vontade enorme de poder chegar a casa para ouvir novamente toda a banda sonora. 

Numa altura em que nos deixamos levar demasiado pelas aparências, em que nos focamos em atrair os outros através de likes e em que nos preocupamos mais em ter do que ser, este filme é uma lufada de ar fresco. Porque nos relembra, ainda que de uma forma diferente e subtil, que o importante é aquilo que temos dentro de nós. Muito mais do que a marca de roupa que vestimos ou o carro que compramos, é aquilo que damos de nós aos outros que marca. E, também, o que nos faz permanecer na vida de alguém.

Positivismo atrai positivismo

10 março 2017


No outro dia, em conversa, uma amiga minha disse-me "gostava de ser como tu, positiva" e eu fiquei um tanto ou quanto atrapalhada com aquela afirmação. Primeiro, porque eu nem sempre tenho noção do quão positiva sou no dia-a-dia, apesar de ter plena consciência de que o sou, e, segundo, porque encarei aquilo como um elogio e eu sou péssima a reagir a elogios (mas essa conversa fica para outro dia).

Depois de refletir naquilo, comecei a notar que eu me tornei exatamente naquilo que eu queria. Eu não era positiva, não era confiante e não transmitia esta energia aos outros. Eu adaptei-me. Evoluí. Quando percebi, de facto, que o caminho que estava a seguir não me estava a tornar numa pessoa melhor, mudei. E decidir mudar é tão fácil quanto parece. Muito mais difícil é o caminho que temos de percorrer até o conseguir.

Mais tarde, durante a conversa, disse-lhe que há duas coisas essenciais que eu aprendi com esta transformação: 1. a nossa mente também pode ser treinada e 2. depois disso, a gratidão é tudo. Começando pelo ponto um, posso dizer que fiquei tão surpreendida com os meus resultados como, provavelmente, algumas pessoas o estão com aquilo que eu acabei de dizer mas, sim, a mente também se treina. Se impingirmos à nossa mente positivismo, ela vai começar a comportar-se com positivismo e, numa situação mais complicada, o primeiro pensamento que teremos deixará de ser mau. É mesmo verdade. Hoje em dia, eu respiro fundo e a minha cabeça enche-se de coisas boas que podem advir de algo menos bom. Em relação ao ponto dois, não há grande coisa a dizer, é isso mesmo: ser grato. Pelas coisas mais pequenas. Quando estou mais em baixo e preciso de uma motivação extra, pego no meu caderno da gratidão e escrevo todas as coisas pelas quais estou grata. Mesmo as coisas que, por vezes, tendemos a ter como garantidas, como, por exemplo, ter uma casa, poder escolher aquilo que vou comer ou ter pessoas que nos compreendem do nosso lado.

Nós podemos mesmo ser aquilo que quisermos, desde que lutemos com todas as nossas forças para que isso aconteça. Nem sempre corre bem, nem sempre estamos bem-dispostos e nem sempre estamos com vontade, mas temos de ter consciência de que essas coisas são normais. A vida não é sempre boa e temos de saber aceitar isso. No entanto, a forma como encaramos as situações pode mudar-nos muito. E fazer de nós pessoas melhores. Ás vezes falhamos, mas não faz mal. O sol nasce todos os dias e, com ele, vem uma mão cheia de oportunidades que podemos agarrar. 

Do dia da mulher

08 março 2017


Se há um tempo atrás esta data me passava completamente ao lado, agora é impossível. Eu sou mulher. E agradeço muito a todas aquelas que lutaram em nosso nome para que hoje pudéssemos ter um lugar na sociedade e não apenas na cozinha. Eu tenho o direito, como qualquer pessoa no mundo, a escolher o meu próprio caminho e a poder traçar os meus objetivos e metas sem que o meu género me limite. Eu tenho direito a escolher quem me vai governar. Eu faço parte da sociedade. Eu tenho uma voz e uma opinião sobre as coisas. Eu e todas as mulheres do mundo.

Entristece-me muito pensar na quantidade de mulheres, um bocadinho por todo o lado, que continuam a ser obrigadas a casar com alguém que elas não escolheram, que se limitam a fazer "o que é suposto uma mulher fazer", a deixar de viver porque são tratadas com inferioridade. Aliás, não é preciso ir muito longe para percebermos que, no geral, a desigualdade ainda é bem visível. Em Portugal, uma percentagem significativa de mulheres continua a receber um salário inferior ao de qualquer homem que exerce a mesma função. 

Por isso mesmo, não tenho qualquer problema em me assumir como feminista. Acredito, verdadeiramente, que toda a gente o devia ser - mulheres e homens. Afinal, lutar pela igualdade de géneros nem deveria ser uma luta e, ter de assumir esta posição na sociedade, deixa-me triste. Fizemos deste mundo um lugar tão evoluído e tão tecnológico e, não sabendo muito bem como, algumas pessoas impediram o cérebro delas de avançar no tempo. 

Espero, verdadeiramente, que este dia nos relembre, todos os anos, que a luta não acabou. Embora incompreensível é preciso continuar a lutar por todas as mulher que não tiveram a mesma sorte que nós tivemos, por todas aquelas às quais lhes foi roubada a liberdade e por todas aquelas que ainda têm medo de assumir uma posição. Temos de lutar para que todas as nossas irmãs, primas ou sobrinhas tenham a oportunidade de ser aquilo que elas quiserem e que não pensem sequer que o género delas as pode limitar. A luta não pode acabar enquanto não for vencida. 

A rapariga no comboio (2016)

06 março 2017


O filme "A rapariga no comboio" é uma adaptação feita a partir do livro mais vendido do ano de 2015 e escrito por Paula Hawkins. Por isso mesmo, a curiosidade era imensa. Primeiro, porque não fazia ideia de qual era a verdadeira história - tirando a parte de que havia uma rapariga que andava todos os dias de comboio - e, segundo, porque ainda não tinha lido o livro. Recentemente, ofereceram-mo, mas eu gosto de ver o filme em primeiro lugar e, à medida que vou lendo o livro, moldar e adaptar os cenários já conhecidos à minha maneira.

O filme inicia-se, obviamente, num comboio. O comboio onde Rachel faz o mesmo percurso todos os dias e onde analisa as pessoas pelas quais vai passando diariamente. No entanto, ela cria uma ligação mais especial com um casal em específico. E, à medida que os dias vão passando, ela fantasia, na sua cabeça, uma história para eles. No entanto, um dia, numa dessas viagens diárias, ela vê algo aparentemente estranho na casa deles e, sem se aperceber, envolve-se de uma forma irreversível em tudo o que está acontecer. 

Estava com receio de ver o filme pelas inúmeras opiniões que fui lendo. Por um lado, tínhamos as pessoas que já tinham lido o livro e que não gostaram da adaptação e, por outro lado, tínhamos aquelas que simplesmente viram o filme e até gostaram. Eu, sem ter lido (ainda) o livro, posso dizer que até gostei. Fiquei irritada muitas vezes com o enorme suspense do filme e dei por mim a ficar cansada de tentar perceber tudo o que estava a acontecer. Também não gostei particularmente do quão sombrio foi todo o filme, mas posso dizer que o final me prendeu completamente ao ecrã. Não era propriamente a história que eu esperava e talvez isso me tenha cativado um bocadinho mais. No entanto, e apesar das partes que eu não gostei assim tanto, posso dizer que foi um filme bastante interessante. Mais pela história em si do que pela adaptação, mas foi. 

#Instagram - Fevereiro 2017

05 março 2017

Fevereiro começou de uma maneira ligeiramente amarga com um exame em época de recurso que me fez perder mais uma semana de férias, mas nem isso fez este mês perder toda a magia de sempre. Fevereiro é o meu mês, o mês do meu aniversário e, este ano, houve um entusiasmo maior com esta data. Depois de muito tempo sem festejar de forma decente esse dia, decidi que estava mais do que na altura de o fazer com algumas das pessoas que me fazem feliz. E não poderia ter sido melhor. Foi um dia de muitas gargalhadas, muitos brindes e um coração cheio de uma alegria inigualável. 

Depois dos festejos, tive direito a uma semana sem fazer absolutamente nada. Saboreei na perfeição o tal dolce far niente e soube-me pela vida. Foi uma semana inteira de puro descanso, como já não tinha há muitos meses, para conseguir enfrentar o segundo semestre e, também, o último da minha licenciatura com toda a garra possível. 

Por fim, tive direito a uma experiência completamente nova que durou os três últimos dias de Fevereiro. Foi uma experiência tão cansativa quanto enriquecedora que, no fim, valeu por cada noite mal dormida, por cada dor nos músculos ou por cada caminho que tive de percorrer vezes e vezes sem conta. Dar um bocadinho de mim aos outros faz-me mais feliz, mais rica e mais consciente. Não precisamos de muito para fazer valer o dia de alguém e, normalmente, nem sequer precisamos de bens materiais. Há sorrisos que mudam o nosso humor, há mensagens que fazem o nosso dia valer a pena, há gestos que nos mostram o quanto valemos para alguém. Trago, desta experiência, lições que nunca esquecerei.

Assim, e num piscar de olhos, o mês terminou e eu nem dei por ele passar. Se Janeiro tinha durado uma eternidade, Fevereiro passou a correr. Até de forma assustadora. E eu apercebi-me disso quando, numa ida ao meu instagram, reparei que mal tinha publicado fotografias. Vivi as coisas tão intensamente neste mês que, na maioria das vezes, me esqueci de o partilhar. E isso é tão bom: desligar do virtual para dar mais valor a tudo o que a realidade nos pode oferecer. 

5 truques para aumentar a segurança virtual

24 fevereiro 2017


1. Mudar as palavras-passe de vez em quando. Tenho por hábito mudar, pelo menos uma vez por ano, todas as palavras-passe das contas mais importantes. Sei que, ultimamente, esta tendência tem diminuído e que se tem notado que esta não influencia assim tanto na prevenção de um ataque. No entanto, eu sinto-me muito mais segura ao fazê-lo.

2. Fazer publicações depois de sair dos locais. Gosto muito de partilhar sítios bonitos e inspiradores no instagram, seja diretamente ou pelo instastories, mas nunca o faço enquanto estou no local. É muito assustador, para mim, pensar que as pessoas que estão a ver o que partilhei sabem exatamente onde me encontro naquele momento. Por isso, tiro todas as fotografias que quero e, quando vou embora ou ao final do dia, faço as respetivas partilhas. 

3. Colocar palavra-passe em todos os dispositivos. Na verdade, quanto a esta, sou ligeiramente desleixada. O meu computador sempre teve palavra-passe porque tenho muitas coisas pessoais nele e faz todo o sentido proteger-me de qualquer contratempo. No entanto, falho redondamente no telemóvel porque sou muito preguiçosa para estar sempre a colocar uma palavra-passe quando preciso de mexer nele. Tenho mesmo de mudar este aspeto porque, tal como como no computador, também o meu telemóvel tem informações pessoais que eu não gostaria que qualquer pessoa tivesse acesso.

4. Tapar sempre qualquer câmara. E esta não é por ser esquisita ou medricas. Há relativamente pouco tempo fui a uma palestra sobre segurança e fiquei chocada com a facilidade com que se acede a uma câmara. Desde esse dia, a câmara do meu computador está sempre tapada e as do meu telemóvel ficam bem distantes em alguns momentos mais pessoais. 

5. Verificar, esporadicamente, os locais onde as nossas redes sociais foram utilizadas. No e-mail somos notificados quando é iniciada sessão num dispositivo novo, mas na maioria das redes sociais isso não acontece. No entanto, podemos verificar os locais onde foram iniciadas as sessões e, desta forma, saber se há alguém a invadir aquilo que é nosso ou não. Acreditem, é muito mais fácil entrar na nossa conta do que aquilo que pensamos. E, não, não acontece só com os outros. 

O livro do hygge

18 fevereiro 2017


À medida que vou percecionando o meu crescimento intelectual, consigo identificar novos gostos que vão crescendo em mim. Tenho apreciado muito os dias passados em casa e os momentos de conversa à lareira. Saboreio com mais intensidade uma chávena de chá enrolada a uma manta enquanto partilho um filme com alguém. Dou uma importância cada vez maior aos pequenos momentos de prazer que o dia-a-dia nos vai proporcionando. No fundo, e depois de ler "O livro de hygge", acredito que me tenho tornado cada vez mais hygge.

"O livro de hygge" é escrito por Meik Wiking que é, nada mais nada menos, o presidente do Hapiness Research Institute. A palavra hygge, em si, não tem uma tradução própria. É uma espécie de bem-estar que sentimos quando fazemos atividades que nos inspiram ou quando simplesmente não fazemos nada. Aliás, dificilmente este sentimento será exatamente o mesmo para duas pessoas diferentes. Todos nós sentimos as coisas de forma diferente, pensamos de forma diferente e temos diferentes visões relativamente ao mesmo assunto.


Acho que o livro está muito bem conseguido exatamente por não se limitar à palavra em si e a tudo o que lhe está associado. Muito pelo contrário. Ao longo deste conseguimos encontrar muitas sugestões para tornar os nossos dias muito mais hygge, seja com receitas aconchegantes, com decorações adequadas ou com atividades para se fazer em grupo.

Na verdade, o meu coração rendeu-se por completo com as fotografias inspiradoras que acompanham todo o livro. E, também, por ter conseguido viajar um bocadinho, com o autor, até Copenhaga por sítios que, muito provavelmente, não aparecerão em nenhum guia turístico. É muito interessante conhecer uma cultura nova com valores que eu aprecio muito, como é a dinamarquesa. 


Acredito que este conjunto de folhas é muito mais do que um simples livro: é um guia para guardar sempre. Porque nos inspira, nos ensina a parar, nos relembra o que é realmente importante e, principalmente, nos mostra que os pequenos momentos são tão importantes. Há muita coisa que está a ser ensinada de forma errada nesta sociedade e este livro é a prova disso. Porque a nossa felicidade não se define pelo quantidade de bens materiais que temos, mas sim pela forma como aproveitamos as pequenas coisas e momentos que a vida nos vai proporcionando. Os tais hyggelig

Título original: The little book of hygge
Autor: Meik Wiking
Número de páginas: 288

Hello 22!

17 fevereiro 2017



À medida que fui crescendo, a minha maneira de olhar para o dia do meu aniversário mudou drasticamente. Há uns anos atrás eu detestava a data, não gostava de festejar e só queria que o dia passasse a correr. Mais tarde, passei simplesmente a querer festejá-la de forma a esquecer todos os motivos pelos quais odiava esta data. Hoje, com 22 anos em cima e um crescimento interior que nunca pensei vir a ter, vivo este dia com a maior das tranquilidades. E, assim sem querer, tornou-se num dia tão especial.

A tranquilidade que me permito ter neste dia, e em todos os outros, fazem-me aceitar muito melhor que um dia, carregado de coisas boas e coisas más, termina exatamente da maneira que nós permitimos que ele termine. Por isso mesmo, aprendi a ser grata pelas pequenas coisas, a olhar para as circunstâncias com outros olhos e a aceitar todas as pedras que o caminho vai tendo. E, quando conseguimos ter esta visão em relação ao nosso dia-a-dia, permitimos que as coisas sejam mais leves e que o nosso humor não se altere só porque alguma coisa não correu exatamente da maneira que esperávamos.

Ter este pensamento torna tudo muito mais genuíno e único. E é desta maneira que eu classifico aquele dia 12. Também foi especial, confesso, muito especial. De uma maneira que eu não esperava. Depois de alguns anos sem festejos e depois de muitos pensamentos arrumados corretamente, decidi reunir algumas pessoas que me enchem o coração desde sempre para celebrar. E eu não poderia ter pedido mais. Nem poderia ter sido mais feliz. 

Por isso, muito mais do que lutar para que tudo corra na perfeição, devemos guardar, com um enorme carinho, as memórias dos momentos ao lado das pessoas que nos fazem ser, verdadeiramente, nós mesmos. E, inevitavelmente, este aniversário será sempre uma dessas memórias.

Milagre no Rio Hudson (2016)

15 fevereiro 2017


O filme "Milagre no Rio Hudson" é uma história verídica que aconteceu no ano de 2009. Ainda me lembro perfeitamente desse dia e de ficar espantada com tudo aquilo. Fiz muitas perguntas a mim mesma, mas não tinha idade para conseguir responder a algumas coisas. Hoje, oito anos mais tarde e depois de bastantes horas a estudar física, consigo entender algumas das coisas que me intrigavam.

No dia 15 de Janeiro, Sully, um capitão da US Airways, estava no comando de um voo cuja origem era o Aeoroporto LaGuardia em Nova Iorque. Pouco tempo depois de iniciada a viagem, houve uma colisão com diversas aves que fez com que o avião perdesse, de imediato, a potência dos dois motores. A situação era grave e, na incerteza de que o avião chegaria ao aeroporto mais próximo em segurança, Sully decide fazer a aterragem no Rio Hudson. Apesar de acharem impossível, ele conseguiu aterrar o avião em segurança e salvar a vida às 155 pessoas que estavam a bordo. 

O melhor lado deste filme é que nos mostra que nem sempre basta salvares a vida de alguém. Às vezes as pessoas vão apontar-te o dedo exatamente por isso. E Sully não foi exceção. É muito fácil as pessoas dizerem que o avião estava em condições de voltar ao aeroporto e aterrar lá em segurança quando treinam para isso vezes e vezes sem conta. Mas quando estão no ar, no momento da tomada de decisão, deve ser angustiante. Aliás, admiro muito todos os pilotos pelas decisões que têm de tomar constantemente e, ainda assim, sem nunca esquecerem que são humanos.

Fiquei extremamente entusiasmada com o filme do início até ao fim porque não se torna aborrecido. Dá-nos a conhecer a verdadeira história de todo este acontecimento e não apenas daquilo que nos foi passado pela televisão, mas, ainda assim, de uma forma muito subtil. Não é preciso ter um grande conhecimento de aviões para entender minimamente tudo o que se passou. Por isso, sim, recomendo muito este filme, não só como forma de entretenimento mas também como uma forma de entender tudo o que esteve para lá do que nos foi permitido ver. 

12 fevereiro 2017


Estado de espírito de hoje: "I don't know about you but I'm feeling 22".

Ser (oficialmente) mulher

06 fevereiro 2017


Não há uma data que defina o dia em que te tornas, verdadeiramente, uma mulher aos olhos daqueles que te são mais próximos e que te viram a crescer desde sempre. É difícil definir uma barreira que separa o "eu a crescer" do "eu crescido". Por vezes, isso torna-se irritante quando sabes que tens maturidade suficiente para fazer qualquer coisa que implique uma responsabilidade acrescida, mas para algumas pessoas tu ainda estás na fase do "eu a crescer". Consigo compreender porque, com a minha idade, a maioria dessas pessoas já estava a trabalhar há algum tempo e já tinha filhos para cuidar.

Mas eu não. E não acredito que isso seja um critério essencial que defina a minha maturidade e aquilo que eu sou porque eu sou tudo aquilo que fui vivendo, sou um bocadinho de todas as pessoas que foram passado por mim, sou as viagens que fiz e sou as barreiras que fui enfrentando. E, isso, mais do que a minha idade, define-me. Há algum tempo atrás, eu não conseguia demonstrar isso à minha família. Eu estudo, eu ainda dependo da minha mãe e, aos olhos deles, isso demonstra que eu ainda não cresci o suficiente. Essa ideia estava a deixar-me irritada e desorientada, de alguma forma. Não havia forma de eu demonstrar o contrário. Eu tentei e não consegui.

No entanto, no verão, quase por magia, senti que essa ideia desapareceu. Tivemos o casamento de um dos meus tios mais próximos. Não vi no evento uma oportunidade para provar o que quer que fosse. Na realidade, nem sequer me lembrei disso com toda a felicidade que me inundava por aquilo estar a acontecer. No dia do casamento, eu quis estar bonita e maquilhei-me, vesti um vestido que adorei e, pela primeira vez, calcei uns sapatos de salto alto. E, no momento em que eu saí do quarto, percebi que, para todas aquelas pessoas que sempre me acompanharam, eu deixei de ser a criança que passava as tardes a brincar às Barbies. Naquele momento, eu passei a ser a Beatriz crescida e os gestos que acompanharam aquele dia demonstraram isso mesmo. No fim dia, eu percebi, com toda a certeza, que ser crescida não é demonstrar que isso é verdade, é deixar que os outros, cada um ao seu ritmo, percebam isso mesmo. 

É óbvio que eu vou ser sempre a miúda deles. E é normal que isso aconteça. Foram eles que acompanharam o meu crescimento desde o dia em que eu nasci, que me comprar brinquedos, que estiveram presentes sempre que foi necessário. Mas, agora, eu sou a miúda crescida. 

5 países que quero (muito) conhecer

03 fevereiro 2017




Há muito poucas coisas que me entusiasmem mais do que poder viajar. Em todos os aspetos. Desde as marcações do avião até ao planeamento dos dias, tudo me deixa espontaneamente feliz e radiante. E, embora não seja a pessoa mais viajada e com mais locais acumulados, de vez em quando dou por mim a verificar preços de certas viagens só porque sim. Também é bom sonhar, não é? Por isso mesmo, hoje trago-vos os cinco países (e é literalmente os países, não nenhuma cidade em particular!) que fazem o meu coração acelerar só de pensar na vontade que tenho de os conhecer. 

1. Itália. Este é o país que, muito provavelmente, tem mais cidades pelas quais eu gostaria de passar. Não são só os clichés a que estamos habituados, eu tenho mais de uma dezena de cidades em mente. Ás vezes é mesmo muito difícil controlar esta vontade gigante de partir para Itália quando vejo bilhetes tão baratos. Talvez seja para aqui que, um dia, escolha fazer a minha primeira viagem completamente sozinha.

2. França. Já tive a oportunidade de visitar algumas cidades em França, mais no norte. Ter lá familiares ajuda bastante, mas dá-me sempre ainda mais vontade de ir à descoberta de novos locais. A verdade é que eu adoro o ambiente tipicamente francês e confesso que seria um país que escolheria para viver no futuro sem qualquer problema. 

3. Tailândia. Se a ideia que eu tenho da Tailândia estiver em sintonia com a realidade, então posso dizer que este país ainda vai fazer o meu coração palpitar muito. Já faz, na realidade. Acompanho religiosamente as viagens do João Cajuda (@joaocajuda) e fico sempre a contemplar os autênticos quadros que são as fotografias que ele tira aqui. É uma cultura completamente diferente, mas que eu quero mesmo muito conhecer. 

4. Islândia. Este é, muito provavelmente, o país para o qual quero viajar há mais tempo. Lembro-me de ser bem pequena e sonhar em ir à Islândia para ver a Aurora Boreal. Hoje, sei que posso a ir a muitos mais sítios para a ver, mas nenhum me apaixona tanto como a Islândia. E fazer uma roadtrip por este país está, completamente, nos meus planos para o futuro.

5. Austrália. Esta será a viagem que vai requerer mais força da minha parte, mas acredito que será, também, a mais enriquecedora para mim. Eu sei que os cangurus são muito adoráveis, mas todos os restantes animais que por lá passeiam não me atraem assim tanto e eu, uma medricas nestas coisas, vou encarar isto como um desafio gigante. É um misto entre o medo aterrador do que possa encontrar e uma vontade enorme de partir já amanhã. 

#LoveTrumpsHate

01 fevereiro 2017

Fotografia daqui.
Quando as eleições do Estados Unidos da América começaram, eu acreditei firmemente que o Trump não seria uma opção viável para aquele cargo e acreditei, ainda mais firmemente, que não seria ele o presidente. No entanto, pouco depois da campanha de ambos começar, eu percebi que estava redondamente errada. Ele continuou, aos meus olhos, a ser uma opção pouco viável, mas já não tinha tanta certeza quanto à sua eleição. E, infelizmente, isso veio-se a confirmar mais tarde, de uma maneira um tanto ou quanto amarga.

Na realidade, a mudança da minha opinião deu-se quando eu comecei a reparar que havia pessoas tão próximas de mim que o apoiavam. E isso deixou-me completamente chocada. Comecei por levar aquilo como uma brincadeira, mas com o passar do tempo percebi que era muito mais do que isso. Pessoas com pouco mais de 20 anos a apoiarem ideias machistas, racistas e xenófobas. Como é que é possível?

Tudo isto me fez perceber uma coisa: não evoluímos nada enquanto sociedade. E isso está cada vez mais evidente a cada dia que passa quando os partidos de extrema-direita continuam, dia após dia, a ganhar mais força e apoiantes com ideais que, definitivamente, não combinam com o nosso século. No final de contas, não conseguimos aprender nada com a história. As nossas escolhas estão a desrespeitar todas as mulheres que lutaram para que, hoje em dia, tivéssemos uma posição na sociedade. As nossas escolhas estão a esquecer todas as pessoas inocentes que por causa da sua raça ou da sua religião morreram. As nossas escolhas estão a desunir a mesma humanidade que celebrou a queda de um muro.

E, no fim, ainda riem. Riem porque tiveram a sorte de nascer num país seguro, sem guerras e livre. Mas nem todos nós tivemos a mesma sorte. E isso significa que não podemos ter as mesmas oportunidades? Que raio de sociedade estamos a criar ao proibir as pessoas de viver? Não consigo apoiar um mundo em que é necessário nascer no lugar certo para se ter a oportunidade de ser mais e melhor. Não consigo apoiar um mundo em que não temos direito à nossa própria opinião (e sermos despedidos por isso). Não consigo apoiar um mundo em que a maldade é mais forte que tudo o resto. Não consigo.

#Instagram - Janeiro 2017

31 janeiro 2017

Janeiro começa sempre em festa. Depois de subir a um banco, de comer 12 bagos de uvas (um grande blhac para as passas que há muito saíram da nossa rotina ao iniciar um novo ano), de fingir que estou a pedir desejos quando, na verdade, nunca o faço e de abraçar as pessoas que mais gosto no fim da contagem decrescente, demos as boas-vindas a um novo ano. Uma nova oportunidade de definir novos objetivos, de deixar para trás tudo o que deve ficar para trás e de espalhar sorrisos por todo o lado.

Embora o mês de Janeiro comece sempre desta forma, eu não gosto dele. É o mês que me retira todas as rotinas que vou adquirindo ao longo dos últimos meses que o antecedem e que trás consigo uma carrada de frequências, trabalhos e exames. Tudo se resume a isto neste mês que já é considerado há muito tempo como um dos que eu menos gosto.
Apesar da carga negativa que paira sempre à volta deste mês, que pareceu uma eternidade, e do cansaço visível que provocou em mim, não me deixei levar por ele. Consegui aproveitar os tempos mais livres que ia tendo para fazer uma coisa da qual tinha muitas, muitas saudades, mas que por algum motivo deixei de fazer: ler. Li mais do que aquilo que pensei que conseguiria e acabei um livro e ainda comecei um outro. Para além do tempo que me permiti perder entre leituras, não houve muitas outras coisas que eu pudesse fazer e, por isso, os passeio foram poucos, mas muito bem aproveitados. E sempre no meu querido Porto.

Das mudanças boas

29 janeiro 2017


Aprecio muito a serenidade que eu me dou a mim própria. Não estou a ser convencida, tive de trabalhar muito para isso. Ninguém que tenha uma baixa auto-estima, medos e pensamentos negativos aprende a olhar para si de forma diferente de um dia para o outro. Não. É um processo longo que, embora seja fácil de desistir, nos levará a um estado de bem-estar, felicidade e harmonia inigualáveis. 

Se há dois anos atrás me dissessem que eu estava a ver as coisas de forma distorcida, eu ria-me. Achava que tudo estava bem exatamente do jeito que estava e, depois de muito bater com a cabeça, percebi que estava completamente errada. Vivia numa ilusão pintada à minha maneira, mas muito longe da realidade. Eu não era feliz e hoje consigo reconhecer isso sem qualquer dificuldade. Eu culpava-me por coisa absurdas, inferioriza-me se fosse necessário e punha completamente de parte as minhas necessidades. 

Quando eu cheguei ao fundo do poço, percebi que estava a desperdiçar o que de mais valioso tenho: eu. As circunstâncias foram-me mostrando isso e eu decidi agir. Já tinha perdido demasiado tempo e energia com coisas pouco significativas e estava na hora de pensar em mim. Arregacei as mangas como nunca o tinha feito e incentivei-me a ser melhor a cada dia. Hoje eu sou grata por tudo, até pelas pequenas coisas que, muitas vezes, tomamos como adquiridas e esquecemos com facilidade. Sou rica por ter pessoas que se preocupam comigo. Sou uma privilegiada por poder estudar num curso que gosto. Enfim, sou feliz com muito pouco.

Por isso, se estão a enfrentar uma situação parecida, não desistam. Afastem-se das pessoas que vos fazem mal, das rotinas que não vos preenchem por completo e das músicas que vos deixam aborrecidos. Acordem com um sorriso e reconheçam sempre que são suficientes para tudo. Nem sempre vai ser fácil, mas contornem a situação com uma dose de boas energias. A vida melhora muito quando passamos a ver tudo pelo lado positivo. Façam disso uma rotina. 

Um sim aos folhos

17 janeiro 2017


Há uns anos atrás ofereceram-me uma blusa com folhos que eu adorava. Ainda hoje me recordo dela com uma certa nostalgia. Recebia imensos elogios quando a usava e eu sentia-me verdadeiramente bonita com ela. Mas um dia... Pufff! Ela desapareceu como por magia e, depois de dias a revirar tudo, dei o assunto como encerrado, sempre na esperança de um dia encontrar uma igual. 

Hoje, uns bons sete anos depois, não consegui (ainda) encontrar uma igual, mas consegui encontrar umas tantas blusas com folhos que me dão vontade de ir a correr à loja mais próxima e trazê-las para casa. No entanto, como os exames não me permitem ter esse tempo livre, vou sonhando com elas, através do ecrã do meu computador, e fazendo uma análise de qual tratei para casa mais tarde com toda a certeza. Para vos inspirar nesta nova tendência e, ao mesmo tempo, inspirar-me a mim, trago-vos quatro modelos que fizeram os meus olhos brilhar. Difícil mesmo é escolher só uma. 

Bolo de chocolate

15 janeiro 2017

Os domingos combinam na perfeição com pequenos momentos de conforto que uma fatia de bolo de chocolate acompanhado com uma chávena de chá nos podem proporcionar. E isso acompanhado com um bom filme e com as pessoas de quem gosto incondicionalmente do meu lado, tornam um domingo banal em um domingo de encher o coração. E, apesar de não ter tudo o que queria neste dia (exames, podem fazer uma pausa?), tive uma fatia de chocolate a acompanhar o meu estudo que me deu um incentivo gigante.

Aqui em casa, eu sou conhecida exatamente por este bolo. Das amigas da minha mãe até aos familiares que estão mais longe, todos falam desta minha especialidade. O que eles não sabem é onde eu fui buscar a receita e certamente que se riam se soubessem. A receita encontra-se num livro da disney que contém receitas fáceis para crianças. É verdade. Mas, apesar disso, o bolo é tão fácil de fazer quanto delicioso. Por isso mesmo, venho aqui partilhar a receita para que também vocês possam aquecer o coração de quem mais gostam. 

01 janeiro 2017


"Nem tudo vai ser simétrico, ter lógica ou fazer sentido. Nem tudo vai dar certo à primeira, à segunda ou à terceira. Nem todos os corações serão bons lugares para morar e nem todos os mapas nos leverão onde queremos chegar. Nem todos os sinais serão bons para avançar e nem todos os comboios serão para apanhar. Nem todas as mãos virão para nos ajudar e nem todos (muito poucos) vão conseguir colocar-se no nosso lugar. Que a nossa promessa constante seja lembrarmo-nos sempre do nome da força que nos faz levantar, encher o peito de ar e voltar a acreditar. Que a Vida seja nossa aliada e que nos vá pondo no peito pequenos balões de esperança. Que nos obriguem a não desistir nunca do verbo-maior, aquele que, sob múltiplas formas, pessoas e lugares, dá o verdadeiro sentido a qualquer ano novo: amar." - Às 9 no meu blog

Um feliz ano novo!
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