Ser (oficialmente) mulher

06 fevereiro 2017

Não há uma data que defina o dia em que te tornas, verdadeiramente, uma mulher aos olhos daqueles que te são mais próximos e que te viram a crescer desde sempre. É difícil definir uma barreira que separa o "eu a crescer" do "eu crescido". Por vezes, isso torna-se irritante quando sabes que tens maturidade suficiente para fazer qualquer coisa que implique uma responsabilidade acrescida, mas para algumas pessoas tu ainda estás na fase do "eu a crescer". Consigo compreender porque, com a minha idade, a maioria dessas pessoas já estava a trabalhar há algum tempo e já tinha filhos para cuidar.

Mas eu não. E não acredito que isso seja um critério essencial que defina a minha maturidade e aquilo que eu sou porque eu sou tudo aquilo que fui vivendo, sou um bocadinho de todas as pessoas que foram passado por mim, sou as viagens que fiz e sou as barreiras que fui enfrentando. E, isso, mais do que a minha idade, define-me. Há algum tempo atrás, eu não conseguia demonstrar isso à minha família. Eu estudo, eu ainda dependo da minha mãe e, aos olhos deles, isso demonstra que eu ainda não cresci o suficiente. Essa ideia estava a deixar-me irritada e desorientada, de alguma forma. Não havia forma de eu demonstrar o contrário. Eu tentei e não consegui.

No entanto, no verão, quase por magia, senti que essa ideia desapareceu. Tivemos o casamento de um dos meus tios mais próximos. Não vi no evento uma oportunidade para provar o que quer que fosse. Na realidade, nem sequer me lembrei disso com toda a felicidade que me inundava por aquilo estar a acontecer. No dia do casamento, eu quis estar bonita e maquilhei-me, vesti um vestido que adorei e, pela primeira vez, calcei uns sapatos de salto alto. E, no momento em que eu saí do quarto, percebi que, para todas aquelas pessoas que sempre me acompanharam, eu deixei de ser a criança que passava as tardes a brincar às Barbies. Naquele momento, eu passei a ser a Beatriz crescida e os gestos que acompanharam aquele dia demonstraram isso mesmo. No fim dia, eu percebi, com toda a certeza, que ser crescida não é demonstrar que isso é verdade, é deixar que os outros, cada um ao seu ritmo, percebam isso mesmo. 

É óbvio que eu vou ser sempre a miúda deles. E é normal que isso aconteça. Foram eles que acompanharam o meu crescimento desde o dia em que eu nasci, que me comprar brinquedos, que estiveram presentes sempre que foi necessário. Mas, agora, eu sou a miúda crescida. 
8 comentários em "Ser (oficialmente) mulher"
  1. Boa :o E tens alguma review dele? Queria mesmo saber pormenores :D

    É tão bom quando as coisas fluem de forma natural e, ainda melhor, sentirmo-nos bem com aquilo que somos. A prova de que aquilo que vestimos faz de nós aquilo que somos - na medida em que nos define -, provou o teu lado mais maduro. O que é ainda melhor, é que não precisaste de aprovação de A, B ou C. Foste tu própria. É tão bom quando tudo é mais genuíno.
    Parabéns pelas palavras :')

    NEW GET THE LOOK POST | The New Way Of Being Sporty.
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  2. Novos amores, sabores e dissabores vão passar pela tua fase de miúda crescida e espero que no fim corra tudo bem :)

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  3. Gostei muito das tuas palavras! Tudo vai correr pelo melhor!

    Beijinhos
    That Girl

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  4. Tantas verdades que acabaste de escrever...

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  5. Não sei se alguma vez me vou sentir crescida ou adulta.
    Mas gostei do teu texto, cada um vai percebendo ao seu ritmo que já não somos bebés.

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  6. Sim, sinto que para os meus pais continuo a ser uma menina crescida (também ajuda o facto de eu fazer questão de manter o meu lado infantil bem vivo).

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  7. Muito verdade o que disseste !
    Serás sempre a miúda crescida que continua a ser pequenina para tudo :)

    LUMOS
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  8. que escrita maravilhosa é esta?! :)
    adoro a forma como te expressas :)
    beijinhos

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